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QUANDO ASSASSINAM CRIANÇAS

Flameja, olho feroz, um sol de brasa. Voa no céu a lúgubre coorte De asas negras de aviões lançando morte. Troa e atroa a metralha e tudo arrasa. Dir-se-ia que Satã, no roçar da asa, Semeara o mal e o horror, de sul a norte. A terra é tinta de um vermelho forte, — Sangue que de mil veias extravasa. Vozes pedem socorro,...

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Chuva

Negra, a noite enegrece o espaço opaco em torno. Asas desfilam no ar, sumindo na penumbra. O ar é parado e abafadiço. Como um forno, A noite marcha e a terra inteira tinge a obumbra. Rasga o colo do céu rubro rubi. Deslumbra De um raio em ziguezague o rutilante adorno. Tra o trovão após o raio que relumbra. Morre na noite a...

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Estória de Natal

As ovelhas estão babando. Os bois estão mugindo. Os camponeses estão cantando. O primeiro trouxe ouro e ele voltou os olhos para a parede. O segundo trouxe mirra e ele mandou que a derramasse nos cárceres onde os condenados gemiam. O terceiro, porque nada mais tinha, trouxe-lhe apenas uma gota de sangue E ele abriu a face num sorriso Onde havia o reflexo...

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Oferenda

Não fui vencido. Hoje a teus pés pequenos Caio, sou teu, Rainha dos meus trenos, Tonto da luz do luar alentador Dos teus olhos que são lagos serenos, Fontes de vida do meu grande amor! ...

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Vamos brincar de romântismo

Nunca te poderia dar um momento de romantismo Com a presença do meu sangue, A presença indomável dos meus nervos, A presença exaltada dos meus sentidos, A exaltação dos teus sentidos, todos presentes Na festa nupcial da noite breve. O romantismo mal sussura; Exige grilos rondando a casa. Vamos brincar de romantismo com a ausência do meu corpo. E com a ausência do...

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Versos da Jornada Feliz

Esta há de vir comigo em meu caminho, Para tornar mais suave esta jornada, Assim pensou minha alma enamorada Quando chegaste, flor do meu caminho. Pus minha sorte em tuas mãos de arminho E saímos os dois na longa estrada Cantava a vida o hino da alvorada Pelo bico de cada passarinho. Mas veio a noite. Cardos cruéis cresceram Para os pés nos...

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Grito da dúvida

Há na minha alma este tormento imenso: Um céu de estrelas todo pontilhado Para onde quer subir meu sonho ousado, Galgando a altura em espirais de incenso. Foge-me a estrela que eu, alucinado, Tento prender. E, em prantos, me convenço Do impossível, o olhar ao céu suspenso; Mãos erguidas, o rosto transtornado... Ó tu que a minha vida tantalizas Com promessas vazias, imprecisas,...

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